sábado, 16 de dezembro de 2017

CENÁRIO ECONÔMICO BRASILEIRO


CENÁRIO ECONÔMICO BRASILEIRO
E-mail: ernidiomigliorini@gmail.com
O ambiente global continuará favorável para o Brasil em 2018. As principais economias desenvolvidas manterão uma sincronia elevada em 2018, em termos de maior crescimento econômico e menor inflação.
O crescimento do PIB nos EUA aumentará em 2018, com a inflação permanecendo relativamente estável. O banco central dos Estados Unidos manterá a política de alta gradual de sua taxa de juros. A aprovação pelo Congresso da proposta tributária do governo, que incorpora redução de impostos sobre o setor corporativo e as famílias, terá impacto benigno, mas incerto sobre o aumento dos investimentos e do consumo.
O PIB da Área do Euro crescerá mais em 2018, beneficiado pelo aumento da demanda externa e por uma política fiscal mais acomodatícia, permitindo uma expansão da economia acima do seu potencial, em um cenário de inflação comportada. O Banco Central Europeu interromperá gradualmente o afrouxamento monetário quantitativo em meados de 2018 e elevará sua taxa de juros apenas a partir de 2019.
A expansão econômica da China continuará relativamente estável em 2018, com continuação da lenta migração de um modelo de crescimento com foco em investimentos e exportações para outro com maior relevância do consumo das famílias. A influência geopolítica e econômica do governo da China nos mercados emergentes continuará a aumentar nos próximos anos, com provável ampliação dos fluxos de investimento.
A elevada liquidez financeira continuará a favorecer os mercados emergentes, com fluxos expressivos de divisas para esses mercados. O Brasil será beneficiado por esse cenário global benigno.
A baixa aprovação do atual presidente brasileiro indica que alguns partidos poderão deixar o governo em 2018. A redução do apoio político ao governo e a proximidade das eleições tornarão improvável a aprovação de medidas relevantes no Congresso em 2018, principalmente aquelas que exigem mudanças constitucionais. O presidente eleito em outubro de 2018 precisará construir uma base de apoio sólida o suficiente para aprovar já em
2019 diversas reformas estruturais: reforma da Previdência Social e Tributária, que exigem maioria constitucional. O governo também precisará avançar na implementação de uma agenda microeconômica, visando elevar a produtividade da economia e o crescimento potencial do País.
No Brasil, retomada gradual da atividade continuará em curso em 2018. O crescimento econômico aumentará em 2018, com expansão positiva em todos os trimestres do próximo ano. Essa dinâmica pressupõe que o ambiente global permanecerá favorável e que o quadro político não contaminará a economia de forma significativa. O maior crescimento do PIB em 2018 estará associado, principalmente, à continuação da sólida expansão do consumo das famílias e à ampliação dos investimentos. O crescimento do consumo das famílias em 2018 responderá à manutenção de condições de crédito favoráveis, à alta da massa salarial real e ao aumento do número de postos de trabalho. Os investimentos crescerão em 2018 como reflexo da expansão do crédito para pessoas jurídicas. A contribuição do setor externo diminuirá ligeiramente, em virtude do aumento das importações, como reflexo da maior demanda doméstica. A contribuição do consumo do governo para o PIB será praticamente nula.
Investimento direto no País continuará alto em 2018. O saldo comercial diminuirá em 2018, em função de uma alta das importações mais substancial do que a das exportações. As importações aumentarão em 2018, devido ao maior crescimento econômico e à hipótese de reduzida depreciação cambial. A expansão das exportações em 2018 será consequência da alta das vendas externas de manufaturados, reflexo do maior crescimento global. O aumento das exportações será inferior ao de 2017, devido à menor alta do preço do minério de ferro e, principalmente, a menores vendas externas de commodities agrícolas, como consequência da redução da produtividade agrícola. A elevação do déficit em transações correntes nos próximos anos será explicada pelo recuo do superávit comercial e pela alta do déficit no balanço de rendas e serviços, reflexo da retomada da atividade. O Investimento Direto no País aumentará nos próximos anos, refletindo, a elevada liquidez global, a alta demanda por ativos em países emergentes e a expectativa de melhoria dos fundamentos domésticos no médio prazo. A saída de investimentos em renda fixa será interrompida.
A reduzida depreciação cambial em 2018 será em função do robusto balanço de pagamentos e da recente melhoria dos fundamentos da economia.
 Inflação e política monetária. Início de um ciclo de aperto monetário até 2019. A depreciação cambial pouco expressiva, a ausência de pressões de demanda e a alta persistência inflacionária contribuirão para que a inflação permaneça próxima do centro da meta em 2018.
A inflação de alimentação no domicílio aumentará em 2018, em virtude do fim do efeito benigno do choque de oferta de alimentos. A ligeira elevação da inflação de bens industriais em 2018 será em função, de condições mais favoráveis do mercado de trabalho e da retomada da atividade. A inflação de serviços continuará diminuindo em 2018.
O Copom manterá a taxa Selic estável na maior parte de 2018.
O déficit primário do setor público em 2018 será muito próximo ao de 2017. O governo será capaz de cumprir em 2018 a regra que impede o crescimento das despesas do governo federal em termos reais.
 O pagamento de juros como percentual do PIB diminuirá em função do forte corte da taxa de juros e da diminuição da inflação.
Maior crescimento global e inflação global mais alta em 2018. As moedas com expectativas de maior depreciação cambial em 2018 são as do México, Rússia e Brasil. As taxas do Brasil continuarão sendo uma das maiores entre os países emergentes.
Os juros reais nos EUA e Reino Unido aumentarão em 2018.

“A rigor, tudo oscila, nada é estável. Cada avanço é uma nova faceta. As nuances e as performances são movidas pela criatividade e inovação. Embora que, o que tem sido, isto se tornará a ser; o que se tem feito isto se tornará a fazer. Nada há que seja novo debaixo do sol. (EM).”

Nenhum comentário:

Postar um comentário